UFU utiliza modelagem 3D para qualificar execução do Programa Cisternas

Iniciativa contribui para ampliar o acesso à água potável em comunidades isoladas
frederico.corticioni@ufu.br
23/01/2026 - 15:47 - atualizado em 23/01/2026 - 15:59

UFU utiliza modelagem 3D para qualificar execução do Programa Cisternas


Iniciativa contribui para ampliar o acesso à água potável em comunidades isoladas

                                                                                    

Simulação Virtual da Modelagem BIM, alternativa inovadora que auxilia o processo do Programa Cisternas. Foto: Arquivo Pessoal

            Pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) utiliza a modelagem BIM (Building Information Modeling) para aprimorar a execução das tecnologias sociais do Programa Cisternas, iniciativa do governo federal voltada ao acesso à água potável e ao apoio à produção de alimentos em comunidades isoladas. A representação tridimensional das estruturas, gerada pela modelagem, facilita a compreensão dos projetos e garante maior precisão técnica na construção das cisternas.

Para viabilizar a iniciativa, o pesquisador e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica (PPGEELT/UFU), Matheus Alves Dariva, sob orientação do professor Alexandre Cardoso, conduz a transição digital do Programa Cisternas, substituindo os documentos tradicionais, até então utilizados em PDF, pela metodologia BIM. Dariva afirma que muitas cisternas apresentavam problemas durante suas execuções, pois muitos projetos não eram compreensíveis o suficiente, sendo descritos apenas por imagens e textos técnicos. Para o pesquisador da UFU, essa dificuldade tornava a execução dependente da experiência de profissionais da construção civil que já tinham conhecimento prévio.

Ao adotar a modelagem tridimensional, as cisternas passam a ter projetos técnicos padronizados, apresentando dados mais precisos e visualização em 3D das estruturas, facilitando a compreensão do projeto com um passo a passo claro da execução. “O BIM permite ‘construir’ primeiro no computador, antecipando problemas e deixando o processo de obra muito mais objetivo”, afirma Dariva. 

                                                                     

   Com a modelagem BIM, as comunidades conseguem compreender como a cisterna funciona com mais clareza, entendendo como será o processo de instalação. Foto: Arquivo Pessoal
 

A padronização técnica também permite que as soluções sejam adaptadas às diferentes regiões do país e contribui para facilitar a execução de obras, além de reduzir o gasto de recursos públicos. “A dependência exclusiva de mão de obra especializada é reduzida, e o programa ganha mais velocidade, precisão e capacidade de replicar essas tecnologias em todo o país, mantendo qualidade e transparência”, explica Dariva sobre a importância da adoção da modelagem. 

    O trabalho desenvolvido na UFU foi apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), reforçando o papel da universidade no desenvolvimento de soluções sustentáveis e sociais. Ao relatar a repercussão do trabalho na conferência, Dariva afirma que foi “bastante positiva, principalmente por mostrar como ferramentas digitais podem apoiar políticas públicas voltadas à segurança hídrica e à adaptação às mudanças climáticas”.    
    O Programa Cisternas é uma política pública que promove o acesso à água para consumo e produção de alimentos através de tecnologias sociais simples e de baixo custo. Desde 2003, o programa tem atuado auxiliando famílias rurais de baixa renda, com prioridade para povos e comunidades tradicionais, como povos indígenas e ribeirinhas. Para participar da iniciativa, as famílias devem estar inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal.