Doce Jardim: um espaço para aprender um pouco mais sobre abelhas

O projeto educativo busca integrar comunidade externa com a UFU em espaços de socialização com abelhas.
leticia.defendi@ufu.br
17/07/2026 - 12:32 - atualizado em 17/07/2026 - 12:48

O Doce Jardim Professor. Dr. Warwick Estevam Kerr é um projeto educativo, do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia (INBIO/UFU), que busca conectar a comunidade universitária e externa ao universo das abelhas. 

Localizado ao lado das bibliotecas dos campi  Umuarama e Santa Mônica, o Doce Jardim foi inaugurado em 2023 e conta com placas didáticas, que explicam sobre as espécies de abelhas presentes e sua importância para a natureza. Algumas  caixas de madeira abrigam ninhos de diferentes espécies, como a Jataí e Marmelada, incluindo pontos que abrigam abelhas solitárias, categorias de abelhas que desempenham papel fundamental na polinização. Os espaços são abertos ao público e tem o objetivo de promover a convivência entre sociedade e as abelhas.

(Doce Jardim campus Umuarama UFU/ Foto: Leticia Defendi).

A proposta do Jardim começou com o desenvolvimento de projetos em escolas de educação básica e, por meio de uma  parceria com o Museu de Biodiversidade do Cerrado. O projeto montava desde espaços de exposição no museu até a implementação do que o grupo já chamava de Doce Jardim, em quatro escolas públicas de Uberlândia. Esse planejamento foi nomeado de “Invasão das Abelhas". Com o engajamento das atividades, o Doce Jardim se estabeleceu como programa e passou a elaborar a montagem dos espaços voltados às abelhas na UFU em 2019.

O programa é organizado pelo Laboratório de Ecologia e Comportamento de Abelhas (Leca), sob a responsabilidade da  professora Fernanda Ferreira, coordenadora do curso de biologia da UFU. A professora  se especializou em trabalhos envolvendo abelhas em seu mestrado, doutorado e pós-graduação, o que a inspirou a construir  o projeto. “Comecei a notar essa importância, de transpor o conhecimento da academia para a comunidade, trazendo uma linguagem mais adequada, trabalhar um pouco com divulgação científica e começar a atuar na extensão também,” comenta Fernanda.

O projeto promove visitas guiadas de estudantes da educação básica, proporcionando uma experiência imersiva e educativa sobre as abelhas: “Nós temos um material fixo, de abelhas espetadas em caixas didáticas. Ali, a gente mostra um pouco a diversidade de abelhas que existe no Brasil. Falamos um pouco, também, das abelhas solitárias, que são menos conhecidas, mas são extremamente importantes para a polinização. Depois fazemos uma visita aos ninhos que temos no Doce Jardim. Nós temos um ninho de abelha jataí e de abelha marmelada, ambas abelhas sociais e sem ferrão. Nós abrimos o ninho, eles vêem, podem comer o mel, experimentar o pólen se quiserem”. Fernanda ressalva que o objetivo dessas ações de integração da comunidade externa, com o jardim, é que os visitantes se encantem com as abelhas e compartilhem os aprendizados com outras pessoas, disseminando conhecimento para a sociedade e promovendo cidadãos ecologicamente mais conscientes e curiosos.

Além das visitações ao espaço físico do jardim na UFU, o grupo do Doce Jardim também realiza mediações em escolas, elabora projetos na cidade e possuí parceria com o DMAE (Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto). No mês de Julho, a equipe visitou a Escola Municipal Hilda Leão Carneiro, localizada no bairro Morumbi em Uberlândia, para dar apoio a apresentação de um projeto sobre abelhas, realizado pelos alunos, com caixas entomológicas, material didático, para demonstração de diferentes espécies de abelhas.

 (Caixa entomológica/ Foto: Acervo pessoal Doce Jardim).

Atividades desenvolvidas fora do campus são realizadas e idealizadas pelos membros do jardim, com o objetivo de levar o projeto a cidade. A colaboração com o DMAE visa implantar um “Doce Jardim” na Agrofloresta que será montada no bairro Granja Marileusa. Outro trabalho em elaboração é o rastreamento de abelhas no Parque do Sabiá, que consiste no mapeamento dos ninhos de abelhas do parque que poderão ser observados por placas físicas, nos locais e no aplicativo do Doce Jardim. 

A trilha das abelhas é um projeto de trabalho de conclusão de curso, da  estudante de graduação de biologia Bárbara Sinigali, com orientação de Fernanda Ferreira. “Estamos  colocando placas e vamos fazer um aplicativo, em que a pessoa pode seguir as abelhas, proporcionando mais conhecimento científico sobre elas. As placas sinalizam os nomes científicos e populares, um pouquinho sobre a espécie e  um QR Code que leva para o projeto”, explica Fernanda.